Sem nova sessão extraordinária convocada, o veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto que suspendia o aumento da taxa do lixo no IPTU segue sem análise na Câmara Municipal de Campo Grande. Com isso, o reajuste permanece em vigor e o custo recai diretamente sobre a população.
A Câmara acertou ao agir rapidamente no primeiro momento. Mesmo em recesso, os vereadores se mobilizaram, convocaram sessão extraordinária e derrubaram, por unanimidade, o reajuste da taxa do lixo. Não se altera IPTU por decreto. A resposta foi imediata e teve respaldo social, justamente porque tocava em um tema sensível, o impacto direto no bolso de quem mora, trabalha e empreende em Campo Grande.
O veto do Executivo fazia parte do jogo institucional. O recuo do Legislativo, no entanto, não.
Ao não estabelecer prazo, nem sinalizar quando o tema voltará à pauta, a Câmara transfere para o contribuinte o custo da indefinição. Milhares de famílias e empresas seguem obrigadas a pagar uma taxa majorada, aplicada sem previsibilidade, sem transição e sem debate público consistente. Na prática, o aumento permanece, enquanto a discussão política entra em compasso de espera.
Para a CDL Campo Grande, esse movimento gera insegurança econômica e enfraquece a previsibilidade, elemento básico para o planejamento financeiro das famílias e do setor produtivo. Responsabilidade institucional não pode significar paralisia quando o impacto é direto e imediato sobre o contribuinte.
Evitar “enfrentamento político” não pode ser argumento para suspender uma decisão que já havia sido tomada de forma unânime pelo próprio Legislativo. A Câmara não foi eleita para administrar tensões internas entre Poderes, mas para representar a população, especialmente quando a medida em debate amplia custos obrigatórios em um cenário de orçamento apertado.
O debate sobre a taxa do lixo precisa avançar, não ser congelado. Campo Grande carece de soluções estruturais para a gestão de resíduos, com incentivo à reciclagem, geração de valor econômico e redução de custos operacionais. O caminho mais fácil, o aumento da cobrança, foi escolhido sem que outras alternativas fossem devidamente esgotadas.
Quando não há data, não há votação e não há resposta, o recado é claro. O contribuinte paga enquanto a política decide.
A CDL Campo Grande cobra que a Câmara Municipal reassuma o posicionamento que teve no primeiro momento e deixe explícito qual é sua prioridade. Em um tema que afeta diretamente quem sustenta a cidade, não há espaço para recuos silenciosos. A prioridade deve ser a população de Campo Grande.
Djeneffer Cordoba
Assessoria de Imprensa – CDL-CG





















