Com teatro e circo, “Mixi pela Cidade” chega à Aldeia Urbana Estrela da Manhã no Jardim Noroeste

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Nesta sexta-feira (27), às 15h, a aldeia indígena urbana Estrela da Manhã recebe o espetáculo “MixiCirquinho”, dentro do projeto “Mixi pela Cidade”. A apresentação gratuita marca um dos momentos centrais da circulação, que leva a palhaçaria da artista Kelly Figueiredo para territórios periféricos e comunidades tradicionais de Campo Grande. A sessão será promovida no espaço da comunidade que fica na Rua Nazaré, nº 28, Jardim Noroeste.

Voltado ao público infantil, o espetáculo transforma qualquer espaço em picadeiro. Em 40 minutos, a palhaça Mixirica apresenta sua parceira de aventuras, Mixipulga, em uma narrativa que combina corda bamba, saltos improváveis, mágicas improvisadas e, principalmente, amizade.

Para a liderança indígena Dalva Cáceres, da aldeia Estrela da Manhã, a presença de artistas na comunidade tem um significado que vai além do entretenimento.

 “A importância do circo aqui na aldeia para as crianças, para nós, para nossa comunidade, é que vai trazer alegria, entretenimento, visto que a nossa dificuldade, o deslocamento para a gente ir aonde o circo está, fica distante, e as crianças também, é uma demanda um trajeto a longa distância e nós não temos uma preparação, não temos uma condução para colocar todas as crianças e nesse trajeto de ida para buscar em outro lugar um teatro, um circo, enfim. Então essa é a importância da vinda do circo para a aldeia trazendo alegria, entretenimento para nossas crianças, para nossa comunidade”.

 Mixi pela Cidade –  Ao todo, o projeto percorre cinco comunidades. A circulação começou na terça-feira (24), no Projeto Socioeducativo Harmonia e Frutos, no Jardim Colúmbia, e seguiu na quarta (25), na Escola Municipal Profª Ana Lúcia Batista, no Jardim Paulo Coelho Machado. Na quinta-feira (26), o espetáculo esteve na Escola Municipal Dionísio Antônio Vieira, na comunidade quilombola Furnas do Dionísio.

A temporada se encerra neste sábado (28), às 10h, com apresentação na CUFA  (Central Única das Favelas), no bairro São Conrado, ampliando o acesso à palhaçaria dedicada às infâncias e reafirmando a cultura como direito.

“O que me motivou foi ampliar o alcance do espetáculo ‘MixiCirquinho’ e garantir que essa experiência chegasse a territórios com menos acesso a ações culturais. Ao perceber a força do trabalho e o impacto que ele gera, especialmente nas crianças, surgiu o desejo de descentralizar a arte, ocupar comunidades e possibilitar que mais pessoas tenham contato com o teatro e o circo, muitas vezes pela primeira vez. ‘Mixi pela Cidade’ nasce como um movimento de expansão e democratização cultural”, afirma a proponente Kelly Figueiredo.

Mais do que números circenses, o espetáculo trabalha valores como companheirismo, respeito às diferenças e empatia. “Elas mostram que cada uma tem seu jeito, suas habilidades e seus limites, e que é justamente essa diversidade que fortalece a parceria. Busco destacar a empatia e o diálogo na resolução de conflitos, mostrando às crianças que a amizade se constrói com cuidado e apoio mútuo”, explica a artista.

Palhaçaria como território de formação – Em tempos de excesso de telas e pouco encontro presencial, o circo surge como tecnologia ancestral de convivência. Classificada como livre, a montagem atende até 100 crianças por sessão, sempre com entrada gratuita.

“O circo devolve à infância o olhar no olho, o riso compartilhado, a imaginação coletiva. A criança não é espectadora passiva: ela participa, reage, cria junto. A palhaçaria valoriza o erro como parte do processo, transforma fragilidades em potência e ensina sobre coragem e superação”, destaca Kelly.

Cada apresentação é construída a partir da escuta do território. “Cada espaço tem seu ritmo. Não é só adaptação técnica, é adaptação humana. Alguns contextos pedem mais improviso, outros mais acolhedores. O espetáculo se constrói junto com o público daquele lugar”.

“Mixi pela Cidade” conta com Kelly Figueiredo na dramaturgia, cenografia e atuação; Marcelo Leite na produção e sonoplastia; Breno Lucas como social media; Edner Gustavo na iluminação e Arruda Comunicação na assessoria de imprensa. Todas as sessões têm interpretação em Libras pelo intérprete Cláudio Luiz.

Entre gargalhadas, quedas fingidas e mágicas de bolso, o projeto reafirma que política cultural não é favor — é construção de futuro. O projeto conta com financiamento da PNAB – Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do MinC – Ministério da Cultura, do Governo Federal, via edital da Fundac, Prefeitura de Campo Grande. Informações pelo Instagram: @palhacamixirica.