“Enquanto o comércio varejista ficou praticamente estagnado no acumulado de 2025, o varejo ampliado avançou 0,9%, indicando uma retomada gradual”, afirma a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago
A edição de dezembro do Termômetro do Varejo, elaborada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), estabelece os principais indicadores econômicos que marcaram o encerramento de 2025 e antecipa os fatores que devem influenciar o ambiente de negócios no próximo ano. O levantamento mostra um comércio que encerra o ciclo com sinais mistos: vendas ainda contidas no varejo tradicional, retomada gradual no varejo ampliado e inflação em desaceleração, criando um cenário mais previsível para planejamento.
Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, dezembro segue como um mês estratégico para o comércio, tradicionalmente impulsionado pelas festas de fim de ano. Ela observa que os dados oficiais de vendas disponíveis até outubro apontam um cenário de transição, com o comércio varejista praticamente estagnado no acumulado de 2025, enquanto o varejo ampliado avançou 0,9%, sinalizando uma retomada gradual.
Segundo Inês, a desaceleração da inflação, medida pelo IPCA de 3,42% em Campo Grande no acumulado do ano, contribui para um ambiente econômico mais previsível. “Esse movimento, aliado ao bom desempenho do setor de serviços, acima da média nacional, e à expectativa de crescimento superior a 20% no faturamento do agronegócio, cria uma base mais consistente para o planejamento do comércio”, afirma.
Estabilidade no varejo e recuperação lenta no ampliado
Os dados do IBGE indicam que, no acumulado de janeiro a outubro de 2025, as vendas do comércio varejista em Mato Grosso do Sul permaneceram praticamente estáveis, interrompendo o ritmo de crescimento observado em 2024. Já o varejo ampliado avançou 0,9% no mesmo período, sinalizando uma recuperação gradual após o recuo registrado no ano anterior.
Na comparação mensal, outubro apresentou comportamento distinto entre os segmentos: enquanto o comércio varejista cresceu 1,8%, o varejo ampliado recuou 0,6%, evidenciando oscilações típicas de um ambiente econômico ainda em ajuste.
Serviços e agro sustentam o crescimento
O setor de serviços segue como um dos principais vetores da economia estadual, com crescimento de 5,6% no acumulado do ano, desempenho bem acima da média nacional. No campo, as projeções indicam alta expressiva: o faturamento agropecuário deve alcançar R$ 79,2 bilhões em 2025, avanço estimado de 21,5% sobre 2024.
Em sentido oposto, a indústria apresentou retração de 13,5% no acumulado até outubro, refletindo desafios específicos do setor ao longo do ano.
Comércio lidera criação de vagas no Estado
O mercado de trabalho fechou outubro com saldo positivo de 880 vagas formais em Mato Grosso do Sul, embora os dados mostrem perda gradual de fôlego na geração de empregos ao longo do segundo semestre. O comércio foi o setor que mais criou vagas no mês, com 432 novos postos, impulsionado pela proximidade das datas comemorativas.
Em Campo Grande, o mês teve saldo negativo de 76 vagas, resultado pontual após uma sequência de meses positivos. Ainda assim, no acumulado do ano, a capital mantém saldo positivo na geração de empregos formais.
Ampliação mais previsível, mas com atenção à inadimplência
A inflação oficial medida pelo IPCA em Campo Grande desacelerou de forma significativa e fechou novembro com alta de 3,42% em 12 meses, abaixo da média nacional. A desaceleração, especialmente nos grupos de alimentação e comunicação, contribui para preservar o poder de compra das famílias.
No mercado de crédito, o saldo destinado a pessoas físicas alcançou R$ 98,2 bilhões, com crescimento anual de 7,4%, enquanto o crédito às empresas chegou a R$ 39,7 bilhões, avanço de 17,4%. Os dados também indicam níveis de inadimplência acima da média nacional, o que exige cautela na concessão e no uso do crédito.
Especialista do mês – Eugênio Pavão, economista
Nesta edição, o Termômetro do Varejo traz a análise do economista Eugênio Pavão, que avalia o fechamento de 2025 e os principais vetores que devem orientar as expectativas econômicas para 2026. Segundo ele, o país encerra o ano com crescimento do PIB próximo de 2,3%, inflação estimada em 4,3%, abaixo do teto da meta, e taxa de desemprego em torno de 5,4%.
Pavão destaca que o comportamento da taxa básica de juros será determinante para o desempenho da economia no próximo ciclo. “A expectativa é de que a Selic permaneça em patamar elevado, em torno de 15%, ao menos até o segundo semestre”, afirma, ao avaliar que esse cenário tende a impactar diretamente o ritmo da atividade econômica. A projeção, segundo o economista, é de desaceleração do crescimento em 2026, com avanço do PIB em torno de 1,8% e inflação ainda acima do centro da meta, estimada em 4,1%.
Ele também chama atenção para o peso do ambiente político e para os efeitos da reforma tributária, que começa a ser implementada no próximo ano. “A entrada da reforma vai alterar a relação entre União, estados e municípios, com mudanças nas alíquotas de produtos essenciais, necessários e supérfluos”, observa. Diante desse contexto, Pavão ressalta que tanto empresas quanto famílias precisarão reforçar o planejamento financeiro. “O controle das despesas será fundamental para reduzir o impacto da inflação em um ano que tende a ser mais desafiador”, conclui.
Djeneffer Cordoba
Assessoria de Imprensa – FCDL-MS





















